Publicado por: PCdoB-PG | 09/11/2011

Lendas Urbanas em PG (3): Um sapo em Vila Oficinas

*Sérgio Luiz Gadini

Sapo que vira príncipe, ‘boca de sapo amarrada’, pulo de sapo, ‘sapo virado’ (e morto) no sol. São muitas as lendas e histórias populares que envolvem sapos. E isso não é exclusivo do Brasil. Em Ponta Grossa, portanto, nada de mais que também tenha alguma lenda com o respeitado animal.

E nessa esteira que um dos mais prestigiados cronistas esportivas do rádio pontagrossense, Diomar Guimarães, com passagem pelas principais emissoras radiofônicas dos Campos Gerais, já fez inúmeras referências a uma das hipóteses que poderiam explicar as dificuldades do Operário Ferroviário Futebol Clube (OFEC): um sapo enterrado em Vila Oficinas. O jornalista Bem Hur Demeneck também já discutiu o assunto, em uma das muitas crises de resultados do Operário, no final da década passada (http://artigo.zip.net/cronica/). Nas diversas situações, chegou-se mesmo a pensar que a lenda seria mais factível do que mera suposição.

Mas aí veio a disputa do campeonato estadual (PR) em 2010 e 2011 e, ao menos parcialmente, o ‘sapo foi esquecido’. A retomada com a participação do Operário na série D do brasileiro atualizou a preocupação. Estranho é que, nas situações (raras, é claro!) em que o OFEC se saiu um pouco melhor, o ‘sapo’ é esquecido e nem ao menos é importunado como co-responsável por resultados inexplicados.

A lenda do sapo enterrado, entretanto, não é exclusividade dos Campos Gerais. Em diversas cidades do País existe apelo semelhante para explicar o eventual insucesso de grandes clubes do futebol brasileiro. É o caso do Corinthians (SP) que amargou mais de duas décadas sem título (entre 1955 e 1976), reforçando a hipótese de que um sapo enterrado no Parque São Jorge (casa corinthiana) poderia justificar tantas derrotas. Na época do ‘jejum’ corinthiano, aliás, levou-se até um respeitado conhecedor das divindades para tentar explicar a situação.

A mesma alegação valia ao caso do Grêmio (RS), que passou a década de 1970 até início dos anos 1980 apenas assistindo o principal rival (Inter) levar títulos regionais e nacionais: um sapo estaria, ainda, enterrado na base estrutural do Olímpico Monumental. Em Joinville (SC) os maus resultados de um tradicional clube local (JEC) também chegou a indicar um suposto sapo enterrado na Arena como responsável.

Em PG, moradores das proximidades de Oficinas comentam que tal suspeita existe desde que o estádio foi construído. E daí a desconfiança de que as condições de transparência na gestão do negócio teria, quem sabe, criado as bases de questionamento para a sempre educada crença popular. Outra dúvida envolve o local em que o estádio foi construído: ‘baixada’ geográfica, indicando área própria para proliferação de sapos que, atropelados por milhares de tijolos e concreto armado, teriam projetado a maldição pela morte e esquecimento dos pares.

Existe, por fim, uma hipótese de que a própria construção e, mais tarde, privatização da ferrovia (no final da década de 1990, quando a última onda neoliberal prometeu deixar os serviços públicos eficientes, transferindo para questionáveis grupos de gestão privada) teriam relações diretas com os sapos mortos e enterrados na base de tais obras de transporte ferroviário. E, por extensão, a Vila Oficinas teria herdado uma maldição da enterrada de sapos desde os tempos do delineamento da então ferrovia, hoje privatizada!

Mas, afinal, tem ou não um sapo enterrado no Estádio Germano Kruger? Estudos preliminares indicam que existe tal possibilidade. E, por ora, qualquer dirigente, atleta, pessoal da Trem Fantasma e demais torcedores operarianos não deveriam desprezar esta hipótese. Afinal, as vozes populares – embora nem sempre consigam linha direta com fontes da divindade – sempre indicam alguma aceitação e coerência na aposta. Na dúvida, melhor fortalecer o grupo dirigente e o quadro de profissionais para a próxima temporada. Assim, talvez, o sapo tambem possa ser poupado por  eventuais resultados desagradáveis.

 Sérgio Luiz Gadini, professor de Jornalismo da UEPG, membro do Conselho Municipal de Cultura PG, presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ). sergiogadini@yahoo.com.br

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