Publicado por: PCdoB-PG | 27/10/2011

Aliel Machado: Carta aberta ao PCdoB

Aliel Machado Bark*

Quero dizer que todos aqueles que defenderam o PCdoB, o ex-ministro Orlando Silva, não estavam defendendo apenas o partido mas sim a valores fundamentais da democracia. Como a presunção da inocência, o conceito de que o ônus da prova compete a quem acusa e não a quem é acusa e também a liberdade de expressão, cobrada de uma mídia que informe, não deforme. Que acuse e apresente provas, que dê espaço igual para acusadores e acusados.

Nosso partido completou em 25 de março de 2011, 89 anos de sua fundação no Brasil. Fundado em 1922 sob a sigla PCB, e reorganizado em 1962 quando adota definitivamente a atual sigla PCdoB.  Já o MDB-PMDB tem 45 anos, o PT, 31 e o PSDB 23. Só o DEM nos faz frente, mas esse já se chamou UDN, ARENA, PDS, PFL e hoje se diz democrata.

Passamos a maior parte de nossa existência partidária na ilegalidade. Em 1937, Getúlio Vargas usou o chamado ‘Plano Cohen’, um suposto plano de levante comunista, como desculpa de instalar sua ditadura do Estado Novo. Bem a moda de Adolf Hitler quando, em 1933, no episódio do incêndio na sede do Reichstag (parlamento Alemão) pôs a culpa nos comunistas e iniciou ali sua ditadura.

Apesar de trazer consideráveis ganhos sociais, como a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que defendemos com todas as nossas forças, é inegável o caráter facista desses 7 anos de atuação de Vargas na presidência. É nesse período inclusive que Luiz Carlos Prestes perde sua companheira, Olga Benário para a policia política de Vargas que a entrega para os nazistas.

Pórem num gesto de grandeza, sem precedentes, esse mesmo Prestes, apóia o retorno de Vargas em 1950, sabendo que naquele momento histórico ele era sem dúvida o melhor candidato paras as classes menos favorecidas da população. E não estávamos enganados, foi de 1950 á 1954 que a população conquistou a PETROBRAS, os maiores aumentos reais do salário mínimo, e diversos outros ganhos sócio-econômicos que fundou o Brasil que existia até a onda neoliberal chegar por aqui na pessoa de Fernando Collor.
Em 1945 elegemos 15 entre 310 deputados constituintes como o escritor Jorge Amado, e fez de Luiz Carlos Prestes o segundo senador mais votado do país. Mas, já em 1947 em plena guerra fria e com o alinhamento do Brasil aos Estados Unidos, fomos postos na ilegalidade e lá permanecemos até 1985. Nesse período não fugimos á luta, oferecemos apoio ao presidente Goulart para resistir ao Golpe Militar de 1964. Resistimos a ditadura, perdemos dezenas de militantes na guerrilha do Araguaia, e na tortura, e continuamos!

De volta a legalidade, demos apoio a Lula em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e em 2010 á Dilma Rousseff. Deixamos de crescer para apoiar o PT, e o mesmo cresceu em nosso campo. Não nos arrependemos, porém é importante sempre lembrar esse fato!

Hoje o PCdoB tem um exercito de 271362 pessoas filiadas e militantes segundo dados do TSE e, eu tenho muito orgulho de ser um deles a mais de 4 anos. Dessa maneira, a crise no ministério dos esportes com 11 dias de todo o tipo de bombardeio, de puro e simples linchamento moral movido pela grande mídia, que acusa sem provas, da espaço a criminosos confessos quando seu objetivo é destruir reputações e derrubar ministros de estado, não é de maneira alguma a maior crise que já enfrentamos!

Quero dizer que todos aqueles que defenderam o PCdoB, o ex-ministro Orlando Silva, não estavam defendendo apenas o partido mas sim a valores fundamentais da democracia. Como a presunção da inocência, o conceito de que o ônus da prova compete a quem acusa e não a quem é acusa e também a liberdade de expressão, cobrada de uma mídia que informe, não deforme. Que acuse e apresente provas, que dê espaço igual para acusadores e acusados.

Fomos rápidos e enérgicos na defesa, demos uma lição de resistência a partidos maiores, desde nosso presidente Renato Rabello, nossos 15 deputados federais, passando por intelectuais, sindicalistas, estudantes, até o mais novo militante partidário, novamente não fugimos á luta. E particularmente tenho o maior orgulho disso, ainda mais quando penso que em plena ditadura  enquanto nossos militantes eram torturados nos porões, e executados no Araguaia, a Folha de São Paulo emprestava seus veículos para o DOI-CODI e para a Operação Bandeirantes transportar presos políticos ilegalmente. E a Veja, ajudava semanalmente sendo o maior porta-voz impresso do regime militar.

Orlando Silva culpado ou inocente, ainda aguardamos provas. Se culpado, que pague pelos seus erros, e vou mais além, defendo um verdadeiro expurgo dos quadros partidários de todos aqueles acusados que virem a ser comprovadamente considerados culpados. Vamos continuar dando exemplo, como fizemos até aqui!

Na posição de um militante que serviu como um dos coordenadores de sua campanha em Ponta Grossa, peço que a presidenta Dilma não esqueça que apenas um ano atrás ela mesma era vítima desses grandes conglomerados de comunicação, quando em plena campanha tentaram de tudo para destruir sua história de guerrilheira, e colar nela a imagem de “terrorista leniente a corrupção que defendia o aborto”.

Tomara que Dilma nunca esqueça da “Torre das Donzelas” no presidio Tiradentes em São Paulo, dos 21 dias de tortura, e dos 3 anos de prisão. Que não permita que seu governo seja pautado pela mídia que diuturnamente vê na queda de seu governo uma oportunidade de estancar o projeto que está construindo um Brasil rico e soberano, de classe média e que está erradicando a pobreza.

Ao PCdoB, essa não será nossa última luta, outras ainda maiores virão!
E venceremos!

*Aliel Machado Bark é vice-presidente do comitê do PCdoB em Ponta Grossa

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