Publicado por: pcdobpr | 27/11/2009

Secretaria de Saúde julga desnecessária prevenção de DST’s durante a XX Münchenfest

Portal Comunitário

Para o Secretário da Saúde, Winston Bastos, seria muito chato uma equipe abordando as pessoas que participam da festa. Estimativas apontam a circulação de 50 mil pessoas por noite.
Por outro lado, estatísticas do Ministério da Saúde mostram que Ponta Grossa está em 5” lugar no número de doentes de Aids no Estado do Paraná, e só fica atrás de cidades como Curitiba, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu.

A Munchenfest completa, em 2009, vinte anos de existência. No início, a festa era realizada na região central da cidade e tinha o caráter folclórico, privilegiando a cultura alemã. “A festa era mais direcionada às famílias pontagrossenses. Era muito tradicional”, afirma a assessora de imprensa da Secretaria de Cultura, Arlete Wadek.

De acordo com a assessora, hoje a festa se descaracterizou. “A partir de 1997, a gente percebeu que o público universitário e também os turistas passaram a frequentar mais a Munchen. Os shows e tudo mais são pensados para atrair este público”.
Conforme as informações da Secretaria de Cultura, inicialmente estava previsto  um bloco na avenida para conscientização da população sobre as doenças sexualmente transmissíveis, no desfile de abertura do evento.

Haveria a distribuição de preservativos e também a presença de uma camisinha inflável de três metros de altura, emprestada pela Prefeitura Municipal de Pinhais. E, durante os dez dias de festa, um stander para orientação sobre as DST`s seria montado dentro do espaço da festa.

No entanto divergências dentro da Secretaria de Saúde impediram que a ideia fosse posta em prática.

O motivo?

O secretário da Saúde, Winston Bastos, diz que “hoje nós não temos familias em Ponta Grossa desinformadas sobre as DST`s. Quem vai à Munchen conhece bem o malefício de ser portador da AIDS”.

Ainda de acordo com Bastos, a Secretaria faz prevenção o ano todo. Então, num período de festas, não se faz necessário este tipo de trabalho. “Não é no período de festa que você vai atrapalhar. Seria muito chato alguém ficar te abordando no meio da festa”, afirma.

A projeção é de que circulem 50 mil pessoas por noite na Munchen. Para Hebert Molkentin, técnico de prevenção do Grupo Reviver é preciso pensar em prevenção não somente nas datas alusivas. “No entanto neste tipo de evento em que há um número expressivo de pessoas, inclusive turistas, é importante haver um espaço de orientação sobre as DST`s”, explica.

Importância da prevenção na München

Segundo dados de 2008 do Ministério da Saúde, 80% dos casos de infecção pelo vírus HIV no Brasil estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste.

No Paraná, o público que mais se infectou pelo vírus tem mais de sete anos de frequência escolar. 43,5% dos doentes de AIDS no Estado estão entre os 20 e os 40 anos de idade.

No entanto pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde aponta que 72% das mulheres com mais de cinquenta anos não usam preservativo em relações sexuais. De acordo com esta pesquisa “o descaso com a prevenção está relacionado à dificuldade em negociar o uso do preservativo com o parceiro e a falsa percepção de que as mulheres acima dos 50 anos estão imunes ao vírus”.

O problema é que esta concepção de imunidade ao vírus não está somente entre as mulheres de meia idade.

Em outra pesquisa, realizada por alunos do terceiro ano de Jornalismo com 50 universitários da Universidade Estadual de Ponta Grossa, constatou-se que 70% já mantiveram relações sexuais sem preservativo e 16% dos entrevistados nunca usam camisinha.

A maior parte deles, 62%, relata que é a falta de conscientização que tem aumentado o número de casos de contaminação pelo vírus HIV na cidade. Para Kaio Modesto, estudante de direito, “a falta de conscientização está maior devido à falta de campanhas. Diminuiu muito nos últimos anos. Tinha que ser constante. Não podem parar. Tinha que ter mais incentivos, propagandas e divulgação de pesquisas”.

Entretanto 22% acredita que o vírus HIV não faz parte de seu convívio social. Conforme relata a jovem Rafaela Paula da Silva, estudante de bacharelado em História as pessoas têm o mau hábito de dissociar-se da realidade. “Elas pensam que isto nunca vai acontecer com elas”.

Sobre a preocupação que mais motiva estes jovens a usarem o preservativo está a gravidez indesejada, com 76%. Já a preocupação com as DST`s, para os entrevistados, é de 6%, e com a Aids, 18%.

Em 2009, Ponta Grossa tem confirmado, até o mês de novembro, 68 novos casos de contaminação pelo vírus HIV. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, a população  mais atingida fica entre 20 e 44 anos.

Para o secretário de Saúde do município, “hoje, o jovem tem o conhecimento sobre a Aids e usar camisinha é um hábito que as pessoas vão ter que adquirir com o tempo”.

E completa: “O universitário tem o conhecimento sobre a Aids, no entanto tem a opção e o direito de usar ou não a camisinha.  Se ele quiser ele pode pegar Aids.”


Respostas

  1. Revoltados com a situação, nós, os estudantes do terceiro ano de Jornalismo (responsáveis pela matéria acima) adotamos a causa e acabamos por fazer, nós mesmos, a campanha de prevenção na Münchenfest. Já havíamos abraçado a campanha de doação de sangue e medula óssea. O desfile tomou, em nossas mãos, outra dimensão. Ficamos felizes por contar com o apoio de várias pessoas e entidades. Acorda sociedade pontagrossense, a AIDS não tem cara e pode destruir a vida das pessoas. “A vida é sua, a preocupação é nossa! PREVINA-SE!”


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